STOP – Capitão Fantástico

Ainda é carnaval e faltam poucas horas do meu exílio de 4 dias pra eu voltar ao mundo real. Como vocês sabem, adoro minha própria companhia e o ócio tem se mostrado um ótimo companheiro pros dias em que as meninas passam com o pai. Pensar nunca é demais.

Eis que ontem de madrugada mais uma vez insone e já sem amigos no FB pra dar defeito na página do Dória, eu achei este filme completo e legendado. Pra mim, foi um grande alento. Não sei que tipo de maternidade vocês exercem nem no que acreditam como sociedade. Sei apenas e claramente que o capitalismo não deu certo e que cada vez mais gera ódio, insatisfação e suicídios. Ser do jeito que somos não é mais uma alternativa, a menos que sejamos merecedores. E cada vez mais a meritocracia assume o discurso da educação, das famílias, do sentimento. Eu me recuso a isso. Infantil e veementemente. Se uma fresta houvesse pra sair deste sistema e criar minhas meninas na floresta apenas com os livros que tenho, eu juro que lá estaria. Mas não há portal e o que me resta é não permitir que a escola lhes roube a criatividade e a vontade de viver em sociedade. Eu sinto muito, minhas filhas.

Sobre o titulo do post, é um acróstico para “Stay calm, think, observ, plan”. ( acalme-se, pense, observe e planeje). É isso que o pai destas 6 crianças diz pra um deles ao machucar o punho  enquanto escalavam um penhasco. Eles sabem tática de guerrilha e sobrevivência, poesia, música clássica, física e matemática avançada, respeitar uns aos outros e a declaração dos direitos americanos.

É um road movie em que elas vão resgatar a mãe, que acabou de se matar, da família dela, que vai fazer um funeral cristão. Eu respeito pessoas que se matam. E que criam seus filhos como acreditam. Apenas assistam. Eu chorei uma tarde inteira e olha que não sou de chorar, nem quando minhas filhas nasceram.

Power to the people, stick it to the man.

E o blog volta após o carnaval, assim como todo o Braséél.

Pode entrar, o filme é todo seu.

12 dicas para não arrumar a casa 

Quando eu cheguei aqui em Mococa absolutamente enrolada em plástico bolha, com os móveis embalados em papelão, as pragas, as gatas e os fermentos debaixo do braço, senti um misto de paz com desespero, como se não fossem contraditórios. Paz porque eu sabia que aqui eu seria eu de novo e mais que nunca. Desespero é auto-explicativo.

E eu trouxe comigo a Léia, uma boa amiga técnica de enfermagem em oftalmo que trabalhava comigo em Campinas. A Léia é a pessoa mais organizativa e de iniciativa que eu conheço. Ela organizou os talheres, as porcelanas, achou o papel higiênico e achou a casinha realmente a minha cara. Em dois dias, 100 caixas viraram 20 nas mãos dela. Ela entende mesmo dos paranauês. E os enfeites que ela colocou ali pra depois eu ver pra onde iam, continuam naquele cantinho do móvel. A verdade é que eu não gosto de arrumar. Não lido bem com me desfazer de coisas. Sou véia e quinquilheira e cheia de papeizinhos. E convivo razoavelmente bem com caixas no canto da sala. ( mentchira!)

Ainda tenho, é verdade, 2 caixas no canto da sala e mais uma meia dúzia no banheirinho de fora, é verdade. Às vezes, tiro todo o conteúdo de uma e fico observando onde a faxineira vai acondicioná-los. Hahahaha. O fato é que eu não gosto, mesmo, de arrumar. Sou quinquilheira de alma, coração e convicção. 

E desde que vim pra cá e me separei do Marcão, as meninas ficam finais-de-semanas alternados com o pai. O que me dá 2 grandes atentos: ficar sozinha e não ter obrigação de fazer comida. Tão naturalmente como acordar tarde, descobri a netflix como atividade perfeita pra passar estes minutos de lazer tão solitário e prazeiroso como as melhores coisas devem ser. 

É provável que eu não tenha visto todos estes filmes sozinha, nem apenas uma vez, nem num final-de-semana só. E nem apenas estes. Mas, céus, como me diverti com cada um deles! Se um dia você estiver aí, entediado, clique nos títulos abaixo e confira:

Filmes de família como tema:

1) O que nós fizemos do nosso feriado ( What we did on our holiday)

Confesso que comecei a ver sem grandes expectativas, apenas porque a tradução do título era literal. Mas, cara, eu tenho uma coisa com filmes que se passam na Escócia. E com a sabedoria das crianças e dos velhos. O melhor vô, os melhores netos. Porque todo mundo, no final das contas, é ridículo. O bonito está em conviver e amar as pessoas como elas são, sem julgar, sem brigar.



2) Os excêntricos Tenebaums ( The Royal Tenebaums)

Um clássico que fiz questão que as meninas assistissem comigo. O filme já é antigo ( 2001), mas super plástico, caricato e teatral, como todos deste diretor, Wes Anderson. Quando eu crescer, quero ser como a mãe desta família, interpretada pela Anjelica Houston. Enquanto isso não acontece, continuo como Margot, fumando escondido e mergulhada numa  banheira. Certamente vocês conhecem todos os atores e todas as músicas. E vão se apaixonar por Royal Tenebaum, o patriarca.


3) Questão de tempo ( About time)

E se você pudesse voltar no tempo, o que faria de todos os seus dias?! Tim, um mocinho ruivo e desajeitado do interior da Inglaterra, recebe esta informação de seu pai quando completa 21 anos. E tem a melhor música do Nick Cave no filme, que me faz chorar sempre. Se fosse eu?!? Leria o tempo todo. Sim, eu sou o pai. Delícia de filme, pra ver e rever e olhar com mais carinho seu cotidiano; quase um filme de auto-ajuda.


4) Colegas

Este é o único brasileiro da lista e nem por isso deixa a dever pra nenhum outro. São 3 jovens com síndrome de Down que fogem do instituto onde moram pra realizar seus sonhos. Gente que anda de fantasia, que fala que ama e ama mesmo, que são loucos por Raul Seixas e que fazem o casamento mais lindo do mundo. E que decora falas de filmes. A-do-ro filme que fala de filme. Você tá é muito loko se não vir este filme. Ri e rio horrores. #merepresentam #tocaRaul !!!


5) Final de semana em família ( Family Weekend)

Se eu morasse num lugar que neva muito, eu seria muito preguiçosa, tenho certeza, muito ao contrário da menina deste filme, que é uma puladora de corda profissional. Uma família de 4 filhos, com cada um dos integrantes bem caricatos, incluindo a avó, mãe do pai. And the Oscars goes to… A irmã atriz de 10 anos que começa interpretando Íris, uma prostituta de 12 anos vivida por Jodie Foster em Taxi Driver ( 1976); encerrando com Alex, de Laranja Mecânica ( 1971). Já falei que adoro filmes que tem filmes dentro?! A decoração e a paisagem são um capítulo à parte.


6) Ligados pelo amor ( Stuck in love)

Quem nunca quis ser escritora nesta vida?! E quem nunca teve um amor obsessivo?! Atirem a primeira pedra apenas após ver o filme. Sim, todo muito é lindo, magro, escritor e vive disso no filme. Depilem o coração antes. Foquem na paisagem, big picture, fogs.


7) De bico calado ( Keeping Mum)

O filme é de 2005 e nem por isso deixa de ser engraçado. O humor negro dos ingleses me agrada muito e o fato de existir apenas a Maggie Smith para todos os papéis de véia da Grã-Bretanha na me incomoda em nada, visto que ela é bastante versátil. Delícia observar o sotaque e a casa típica de uma família britânica por dentro. No caso, a do reverendo Goodfellow. Amo as camas, os papéis de parede, a bagunça nossa de cada dia. E que família não é disfuncional, não é mesmo?!

Comédia de máfia

8) Rock’n’rolla – a grande roubada ( Rock’n’rolla)

Mais ingleses atrapalhados com sotaques. Gerard Butler protagoniza a melhor cena de sexo, ever, com a bandida do filme, magra, linda e que fuma loucamente. No maior estilo Jogos, trapaças e 2 canos fumegantes

 https://youtu.be/U0wQXwUtSE


Comédias românticas 


9) Escrito nas Estrelas (Serendipity)

Comédias românticas bobas tem, sim, seu valor de entretenimento. Eles se encontram por acaso ao tentar comprar o último par de luvas pretas no Natal e se apaixonam. Ela escreve seu nome e telefone na capa de um livro ( O amor nos tempos de cólera) – que vem a ser um dos meus livros preferidos desde sempre – e ele, numa nota de 5 dólares. E a gente fica torcendo o filme inteiro praquele livro voltar pra ele e praquela nota voltar pra ele. Fora que a definição de serendipidade é maravilhosa. Assim como o mocinho do filme. 


10) Today’s Special 

Um chef sofisticado e bem presunçoso que tem que assumir o restaurante indiano decadente do pai depois que ele sofre um infarto. O filme dá fome. Eu chorei. Também tenho esta coisa com histórias de filhos que voltam pra casa e continuam a fazer o que o pai faz.

Filmes Argentinos


11) O segredo dos seus olhos ( El secreto de sus ojos) 

Fui ver este filme à época porque eu já tinha esta coisa com olhos, acho que foi em 2011, no primeiro ano da residência de oftalmo. Um homem pode mudar tudo nesta vida: endereço, nome, rosto… Mas não pode mudar sua paixão. Tem suspense, tem romance, tem drama. É a história de um oficial de justiça que escreve um romance sobre um crime que ele investigou há 25 anos.


12) Um conto chinês ( Un conto chino)

Como o mesmo ator do filme anterior, Ricardo Darín. Por isso, aliás, fui vê-lo. E amay Roberto sendo um vendedor de pregos rabugento, colecionador e véio. Daquele tipo cujo mau humor é risível, bem meu número. Some-se a isso o fato dele colecionar notícias absurdas e de aparecer na vida dele um chinês que não fala nem compreende uma palavra de espanhol. E que ele não imagina como tirá-lo da sua vida.

O fato é que existem muitos jeitos de procrastinar, embora ver filmes seja o meu preferido. Todos estes títulos continuam disponíveis na netflix e vários tem completos no YouTube também. Ou nestes torents da vida que eu não sei usar. 

Dizem que está tendo olimpíadas no Brasil também. Não só no rio, mas passando em vários canais.

E você, faz o que pra enrolar quando não quer fazer alguma?! Vê filme também?! Pode entrar, já estouramos até a pipoca! 😛

Véios ótimos e meus avós

Dizem que hoje foi dia dos avós. Minha mãe publicou a mesma foto do ano passado com os netos no facebook e desejou parabéns a todos os avós. Ano passado, eu pedi pra ela não fazer isso, porque expunha as crianças, uma vez que ela é uma figura pública e que tem o perfil completamente lotado a ponto de não adicionar a própria neta. Este ano, apenas fiz um grande Affff interno e deixei por isso mesmo. Sejamos condescendentes.

De qualquer forma, avós são ótimos e eu sou louca pra ser avó. De gente. Não de cactos nem de cachorros. Vamos dar tempo ao tempo. Anyway, sendo eu véia, creio que minhas filhas aprendam algo de vó comigo e de jovem com a minha mãe. O tempo nos prega peças.

Ando ainda refletindo sobre ser véia e quando comecei com este negócio. Localizo por volta de 1996, quando fazia Letras na Unicamp e vi “Tatie Danielle”, que significa titia Danielle. Um filme francês sobre a véia mais ranzinza e lazarenta que já pode ter havido. Lembro de ter rido horrores e que a melhor parte foi quando ela abandonou o sobrinho-neto na pracinha, exatamente esta parte que aparece no trailer. E o menino era, de fato, uma criança chata. E esta coisa de ser politicamente correto já tá mais que na hora de acabar, né! Tem criança chata, criança feia, criança burra. Não achei o filme inteiro no YouTube nem em lugar algum, mas deixo aqui minha sincera homenagem a esta véia fabulosamente mau humorada. Os que me conhecem um pouco mais sabem o quanto é risível também meu mau humor. #merepresenta

Este segundo filme é novo. “Um final de semana em Paris”. De um casal de ingleses que vão passar o aniversário de casamento de 30 anos em Paris, de novo. A véia completamente impaciente e o véio completamente comedido. No começo. Assisti em casa, com Marcão, e foi um dos poucos filmes que ele viu comigo. Nos identificamos; depois nos separamos. Não por causa do filme, calma. Se cruzarem com ele por aí, vejam; vários ensinamentos embutidos e você consegue dormir depois. O trailer está aí embaixo.


Tem outra véia que conheci outro dia e que simpatizei muito, a de “My old lady”, representada por Maggie Smith. Na verdade só sei o nome dela porque aparentemente só há ela para todos os papéis de véia da Inglaterra e Reino Unido. Então ela aparece bastante. Mas a personagem aqui também é ranzinza e tem uma mania ótima que muito provavelmente adotarei assim que as meninas não morarem mais comigo; que é a de tomar um bom café da manhã entre 8 e 9 horas e depois jantar às 20h. Odeio almoço. Por mim, faria apenas 1 ou 2 lanches neste intervalo. Mas, enfim, as crianças precisam comer para crescer. Eu que guarde esta informação e os pavões que ainda criarei pra quando for velha de idade. O filme em si é mediano, embora a véia e o cara falido sejam bons personagens com alguns momentos bons. Ele quer herdar a casa, mas só depois que ela morrer. E a véia goza de uma saúde realmente ótima.


Mas a mais sábia de todas as véias é Antônia, protagonista do filme de mesmo nome que foi traduzido por “A excêntrica família de Antonia”. Provavelmente eu assisti a primeira vez porque adoro a palavra excêntrica; faz uns 20 anos. Mas o filme é bem mais que isso. Antonia acorda pra viver seu último dia de vida. Lúcida e sã. E a família dela é de mulheres fortes, a filha, a neta e a bisneta, que de repente encanou com a morte, lembrando que fazia muito tempo que não morria ninguém naquela família. Abaixo segue o filme completo. Pensei muito tempo sobre ele e foi uma grata surpresa revê-lo, ainda que não esteja em HD.


Sobre meus próprios avós, digo apenas que convivi muito com 3 deles que conheci. Fui muito amada e a preferida de cada um ( sorry, irmãos e primos, mas todos sabem que é verdade), o que me salvou como pessoa, já que eu sempre fui uma criança absolutamente introspectiva, anti-social e sem amigos. A eles devo quem eu sou, embora não seja mesmo lá muito grande coisa. Ainda tenho minha vó Francisca viva e forte, ainda que não me reconheça mais. Um dia eu ensino o mantecal que ela me ensinou fazer ( só eu aprendi de todos os netos e passei pra Cleópatra). A mãe do meu pai, a vó Nena, morreu lúcida aos 95 anos, exatos 3 anos antes de eu dar Penélope à luz, no dia da mulher. E tenho ainda vívidas as histórias que ela me contou. Espero poder escrevê-las, um dia. Ela já era viúva há muito tempo, quando eu nasci. E meu vô Zé, marido da vó Francisca, era a pessoa mais sábia e forte do mundo. Caipira, descendente de índio, conhecia a terra e os bichos como ninguém. Com 25 anos, ele ainda me levantava do chão toda vez que eu chegava na casa deles. Ele ficou realmente doente quando não pode ir ao meu casamento por falta de ar. Morreu dali 4 meses. Até hoje eu choro em lembrar disso.

Enfim, não era a intenção do post relembrar dos meus avós, mas não tem jeito, eles fazem parte do que eu sou. Desejo apenas que cada um que vem aqui tenha conhecido pelo menos um de seus véinhos e aprendido algo com eles. Nem que seja a recebe amor. E que a gente seja bons avós quando chegar a nossa vez.

E você sabe, né! Casa de vó é sempre aberta e tem bolo! Vai entrando ❤

Espelho, espelho meu: existe alguém mais véia do que eu?! 

Como vocês já sabem, estou aqui em Mococa sozinha com as pragas. Temos nos saído razoavelmente bem na convivência, um pouco menos na organização e limpeza da nossa casinha… Mas o fato é que, dia desses, conversando com um amigo de há décadas, ele me disse “tio tá véio”. Ao que eu emendei: “tia também”. E olha que temos 40. Mas o que é ser “véio”?! Isso se reflete na decoração da sua casa?! Ou não chega a ser um “estilo de vida”?! Ou ainda: você gosta de “coisas de vó”, mas é só isso e não vê a hora de chegar o sábado pra cair na bagaceira?!

Pensando nisso, eu bolei este questionário, nada científico, pra gente se conhecer um pouco mais. Não tem brinde e também não tem que enviar formulário nenhum pelo Google. Até porque eu não conseguiria fazer se assim fosse.

Leia aí e veja o quão véia você é. As perguntas são só responder SIM e NÃO. Obviamente, quanto mais sins, mais véia. Eu disse sim a todas.

Vai pegar seu chá que eu já estou com o meu, minha fia! E fique à vontade, em casa de véia você pode entrar a qualquer hora!

Comidas&Bebidas

Chá é sua bebida favorita? (  )S   (  )N

Você adora sopa e cremes? (  )S   (  )N

Prefere bolo de aniversário branco aos de chocolate? (  )S   (  )N

Hábitos

Tem alguns mau hábito que você não consegue mudar? (  )S   (  )N

Redes Sociais

Você até tem contas em várias redes sociais, mas consegue usar de fato apenas 1 ou 2, né?

Modernidades ( aplicativos e computador)

Responda rápido agora: dificuldades em usar o computador?

Em instalar aplicativos?

Editar fotos?!?

Escrever coisas em fotos você não sabe, né?

Demorou pra conseguir asistir ao Netflix?

Música 

Roberto Carlos ou Elvis Presley são seus cantores preferidos?

Ou ambos?!?

Vestuário

Você se veste de uma cor só ou usa chapéu?

então a rainha da Inglaterra é um ícone fashion pra você?

e você finalmente entendeu que a calcinha da Brigitte Jones realmente são as mais confortáveis do mundo, também chamadas de granny pants e, foda-se, realmente não há problema delas serem beges?

Chinelo de véia?

Casa/decoração

Tem alguma toalhinha de crochê em cima de algum móvel aí, tipo criado mudo ou mesinha?

Tem santos ou imagens?

Tem muitos enfeites, digo, quinquilharias, mesmo?

Curte um móvel retrô?

uma samambaia?

Uma cadeira de canudinho na varanda?

2 ou mais gatos? (não vale cachorro!)

 

Pontuação

5 ou menos SIM: você é xovem, aventureiro e talvez nunca fique véio ( sim, há adolescentes de 80 anos, creia.)

de 6 a 14 SIM: você é uma pessoa madura, ponderada, diria até sensata; mas está antenada às últimas tendências e consegue gravar snaps todos os dias. Talvez até seja blogayra. E curte mesmo uma suculenta e um chevron.

15 ou mais SIM: Você é véia/o. Leia a descrição abaixo pra ver se concorda.

Em qualquer dos casos, deixe seu comentário. 🙂

Esta lista poderia se arrastar pela eternidade e ainda faltariam coisas. O fato é que não é apenas sobre se vestir, arrumar a casa ou preferências músicais. Nada disso importa. Ser véia é mesmo um jeito de ver o mundo. É uma liberdade de fazer o que quiser sem se importar com o que os outros vão pensar. É sobre se conhecer. Conhecer aos que você ama. Respeitar os idosos e suas manias e limitações. E ver que eles são, cada um do seu jeito, engraçados e sábios. E que não é porque são velhos que são véios. Nem tampouco rugas significam que foram bons ou razoáveis a vida inteira. Eu li algo parecido com isso na “República” de Platão quando eu era pequena. Agora entendo. Véios não são todos bons. Por Deus, seria muito chato se o tempo, ou a experiência ou a sabedoria deixasse as pessoas boas, boazinhas. Os melhores véios sabem rir de si. São politicamente incorretos. Têm, aqui e ali, seus preconceitos e os admitem. É um estado de liberdade com sabedoria. De poder pular um dia de banho e preferir não almoçar e tomar um bom café da manhã e um bom jantar, por exemplo. É fazer escolhas por si e pra si.

Parece que já tá ficando longo e, pra não ficarmos sem imagens, coloco algumas fotos do IG em que aparecem este conceito. E ele vai aparecer sempre por aqui, parece que teremos uma série de posts envolvidos. Não prometo posts semanais nem que este blog será sempre sobre décor. Véias não prometem. Mas paixões, a gente não muda.

 

 

 

Faça-você-mesma, Klara.

Eu tenho uma amiga-irmã-comadre de algumas décadas que não mora aqui colada em mim. Mas não foi a distância geográfica que nos separou. Ao contrário. Apesar dela morar com sua família linda na Paraíba, nos falamos constantemente e, sim, nosso Bluetooth emocional é bem sincronizado. Quase todo dia no uatisápi falando da vida, das crias e mal dos colega dazantiga que me deleta do FB. Quem nunca, né?! A deletada, a diferentona.

E daí que outro dia ela me perguntou como que encapava móvel com tecido. Eu falei que não sabia, nunca tinha feito. Que a parede do meu antigo quarto que era de tecido eu encapei com cola de papel de parede misturado com cascorex. Que ela fizesse a arte do lado de cima e me mandasse, se desse certo.

 

Uns dias depois, recebi estas fotos que me fizeram cosquinhas no coração ( que pra mim é mesmo a definição física de felicidade). E espero que inspire vocês. Um criado popular, que se abre em cima revelando uma engenhoca simples com velcro, transformado com tecido e cola diluída em água. Proporção?! 2:1. Duas partes de cola e uma de água. Cola branca, escolar.

 

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Tcharáns com tecido de patchwork e floral ornando! Equipe DONC ama! ❤


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Até os fundilhos do criado a danada encapou! 🙂


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a parte que abre também!

Resume tudo que a gente fala por aqui, né, não?! Do pouco ao glamour nosso de cada dia. De olhar pra nada a olhar pra dentro da gente. De nos vermos nas coisas que nos cercam. De coisa bonita e pouco dinheiro. De fazer casa com alma. E criadinho com Buda!

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Em cima, detalhes…


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A parte que abre…


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Atrás! ❤

Não bastasse o criado, que foi no ano passado, estes dias que eu estava de #mimimi, ela me aparece com este armário de escritório, encapado de algodão cru. Isto mesmo, Brasil! Algodão cru!

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não temos o antes, mas é aquele armário básico de escritório, reconhecem?! Pois é, nem eu!

Pôs as meninas pra desenhar com tinta pra tecido e canetas pra tecido (as de escrever nome no uniforme), esperou secar 1 dia, colou com a mistura mágica de cola e água. Simples assim!

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e você ainda ganha algumas horas de crias entretidas! 😛


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desenhando…


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… o que elas quiserem…


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… do jeito que quiserem! ❤

E ainda tirou onda disfarçando os puxadores péba fita de cetim de bolinha e fita dupla-face. Olhaê a substituta da washitape, Braséél! É pra fechar o blog, né! Blogayra de décor enrustida, a minha cumadi.

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puxadores “novos”


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acabamento interno, também com fita!

Então de agora em diante fica assim: se eu demorar mais uma vez a dar as caras aqui novamente, Klara fica nomeada, eleita e aclamada chefe editora por aqui, ok?

E como jabá pouco é bobagem, convido você, minha leitora, meu leitor, a curtir a página do FB da mais velhas das meninas dela, a Mari. Tudo começou com mangás e a menina já mostrou que manja mesmo do riscado, porque é um mais lindo que o outro. Eu já encomendei umas obras de olho pra eu colocar no consultório, porque acho boas, mesmo. Traço firme quando tem que ser, expressões intrigantes… Uma genuína obra de arte. Eu, de você, curtia, enquanto ainda é de graça! Marina Schenkel Art .
E você, não tem nada aí precisando de vida nova?! Os criados e os armários são todos nossos! E manda pra gente ( deolhonacasa@email.com) que adoramos ( e publicamos!) Uhuuuu!!!

Cadê o brilho nos olhos que estava aqui? DONC is Back!

bagunca - 17

isso foi antes da mudança. Está bem pior, acreditem… :/

Eu sei que vocês já devem estar cansados de #mimimi. Eu também.

Acontece que eu tô aqui nesta terra quente e promissora de Mococa, sozinha com as minhas pragas, tentando fazer as coisas darem certo. Por coisas entenda-se basicamente a educação e criar as meninas, trabalhar como oftalma, cuidar minimamente da casa de formas que não habitemos uma pocilga. Rotina, organização e trabalho. Fácil, né?! E nem me sinto adulta suficiente pra ser responsável por tantas coisas.

Eis que segunda passada na hora do almoço meu pai recebeu uma ligação e disse: “ah, tá confirmado, sim! A gente vai!… Viu, Diana, quarta à noite na televisão, falar sobre oftalmologia.” Não é uma notícia que se dê assim, né, gente, pra uma pessoa com a boca cheia de arroz e feijão, engolindo com pressa pra levar uma na escola e buscar outra. ( Sim, eu almoço na casa dos meus pais todos-os-dias porque ainda não me programei suficiente para ter arroz-feijão-bife-salada na minha própria morada.)

E a partir daquele momento eu só conseguia pensar em fazer as unhas, o que que eu vou falar e o que eu faço deste cabelo, pelo-amor-de-Deus. Fora a rotina insana com as meninas que, num ato de desespero materno, eu matriculei em períodos diferentes porque elas brigam demais. Agora só sobra a noite pra isso. Aff.

E a quarta-feira chegou comigo ainda no celular, tentando me acalmar à uma da manhã. Eu durmo tarde e acordo cedo. E celular na cama nunca dá certo, é verdade, eu sempre falo pras meninas. E antes do despertador tocar às 5:45h eu já tinha acordado sobressaltada e cansada. Vou passar o uniforme da menina antes de acordá-la, pensei. Bati a mão no criado, pus meus óculos ( eu uso +5,50 pra longe de hipermetropia) e olhei no celular pra ver as horas.

E aí aconteceu o impalpável.

Eu não enxerguei as horas. Nem de pertinho, nem à meia-distância, nem de longe. Meu coração começou a bater na boca e me deu vontade de chorar. Eu sabia que eu ia perder a visão pra perto, mais dia menos dia, pois já beiro os 40. Mas, assim? Sem aviso? Antes do despertador tocar? num dia importante? então começou a tocar o alarme e o meu é o pior possível, aquele de sirene, Pé Pé Pé…

Eu desliguei porque já sabia onde era o botão, sem enxergar. Levantei, me esforçando pra ver algo mais que vultos e caminhei até a cozinha. Eu não contaria pra ninguém. Não posso assustar as meninas. Vou agir com naturalidade. Imagina o susto que meu pai vai tomar?! E os pacientes de hoje, como eu vou atender?! Cheguei na cozinha e decidi fazer uma café forte, aquilo era sono. Acendi a luz da cozinha e… ESTAVA TUDO ESCURO! Meu Deus! Eu acordei cega! Abri a porta da cozinha que dá pro quintal e parecia ser noite, ainda. E se eu vivesse na noite pra sempre, meu Deus?!? Eu estava apavorada demais até pra chorar. Fiquei alguns minutos sentada na mesa da cozinha. De camisola, bafo, óculos e sem chão, sem reação. Eu quero atender as pessoas… eu gosto tanto do que eu faço, mas como?! Eu não vou enxergar as câmeras na TV… Como eu vou fingir?! E foi então que eu tive a melhor idéia de todas. Vou voltar pro quarto, é um pesadelo, eu ainda não me levantei.

Cheguei no quarto e não tinha ninguém deitada na minha cama. Eu era eu e eu estava acordada. Mas…

O que era aquilo sobre o criado?! Franzi a testa pra ver, cheguei pertinho… Lá estavam meus óculos de grau! E no meu rosto?! Óculos de sol, sem grau. O relógio da Igreja começou a bater 6h da manhã, eu já estava atrasada. Ufa… Mais 2 minutinhos, que o dia ia ser longo e eu acabava de surtar… Mas enxergar não tem preço! E eu tenho muita gente pra ajudar!

E vai arrumar esta casa que está uma zona, Diana, honestamente… Ninguém pode viver equilibrando celular, 3 óculos diferentes, cestinha de remédios, creme anti-idade, controles remotos, caderninho de anotação e contas num criado-mudo. Sim, eu sei, podexá. Mas no final de semana, que hoje eu vou falar na televisão! 😛

A entrevista que demos na quarta está aqui, quem quiser ver, será bem-vindo, só clicar!

É longuíssima, mas foi tanto carinho que sou toda gratidão. Me senti voltando pra casa, realmente! Muito obrigada, dra Eliana e TVD, vocês são sensacionais!

E nada como um sustinho básico pra gente se tocar do que é realmente importante nesta vida, né!

Então, amores e amoras, informo com este post-surto que continuo linda, loira e louca como vocês podem ver no vídeo, mas sobretudo que amo muito este blog, que não é só de decoração, nem nunca foi, pra quem não sabia ainda.

Muito breve voltamos a nossa programação normal com faça-você mesma, decore-você-mesma, viva-sua-vida-você-mesma que o ano começou, uhuuu!!! E vou mostrar meu consultório que tá chuchu, tá azul, tem um olho-espelho lindo na porta… Projetinhos da minha cumadi da Paraíba, posts na casa da vó, cola aqui QUE EU VOLTEI! 😛

Por último, mas não menos importante, a fotinha que publiquei no meu IG no dia do nosso ano novo, meu e do meu pai, dia primeiro de fevereiro:

E sim, pode entrar!!! A bagunça é toda minha, mas fica à vontade! SMACK!

 

 

Sobre mudanças e brilho nos olhos

 

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Nu – Tolentino, s/d

Mudar não é fácil, não é rápido, nem barato. É que nem ser mãe; cansa e te exige uma vigília constante. Mas te recompensa por ter um ( ou 2, no meu caso) corações batendo fora do meu peito e 2 cérebros pensando com uma cabeça que não é a minha. Tudo tão bagunçado, tão lindo, tão humano e inesperado. A casa, pra mim, é um ser vivo. Um coração que pulsa fora do meu peito e um cérebro que pensa sem mim.

Tomar esta decisão de sair da zona de conforto ( ou da cidade, no meu caso) causa estress, briga, choro… Mas se tem se revertido num profundo e doloroso encontro comigo mesma, com meu passado, com as expectativas que tinha, há 20 anos, de quem eu seria quando tivesse 40.

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Me vi em diversos momentos, fazendo coisas legais e outras, nem tanto… Sendo legal com algumas pessoas e com outras, nem tanto…

Joguei muito, muito papel mesmo, fora. Doei roupas, brinquedos, roupinhas de neném que eu pensava que ainda teria e guardei por 1 década. Não quero mais nada disso.

Quero ser a que eu puder carregar, dentro do peito e fora dele. E que meus dois corações que batem fora de mim me acompanhem. E que eu encontre minha alma de novo.

É por isso que gosto de falar que sou oftalma. Porque têm alma no final. E, honestamente, eu ando com os pés e a alma cansadas… Com o olhar sem brilho e o cenho preocupado…

Estou no meio de um caminho que não sei onde vai dar. Só sinto o calor do sol do meio-dia na minha cabeça e tenho que fechar os olhos. Eu prefiro a noite.

Pra pensar. Pra rir. Pra fumar.

bagunca - 111

Então vou tentar novamente fechar os olhos e dormir mais um pouquinho. E quando eu acordar, espero que meu brilho nos olhos tenha voltado. E que minha casa tenha encontrado uma alma e vice-versa.

O fato é que, quando eu me afundo nos poços que eu mesma cavo, deixo uma cordinha amarrada pra subir depois.

No caso da casa, foram os quadros. Obras de arte são importantes. São caras. Compre quando der, porque olhar pra elas não têm preço. E você sempre vai ver algo que não tinha visto. Mudar de perspectiva e de ponto de vista salva.

bagunca - 122

O autor da maioria delas é o Francisco da Silva, um pintor brasileiro que nasceu no Acre e viveu no Ceará, autodidata e semi-analfabeto, atormentado por natureza, descoberto por Jean-Pierre Charboz. Morreu pobre e bêbado. Acho que até por isso ele pintava tantas cobras e lagartos atormentados. Delirium. Dizem que as obras depois de 1978 não são exatamente dele, porque todos na família punham a mão na obra, no intuito de fazer uma produção de massa. I don’t care. Todas têm o dedão dele em tinta perto da assinatura. Amo Chico da Silva e sua loucura. Me salvou e continua me salvando.

Música pra quem é de música. Esta banda linda se chama Drugstore, nasceu na Inglaterra e a vocalista – pasmem – linda, maravilhosa, brasileira, Isabel Monteiro, voltou pro Brasil ano passado e está com uma nova formação tupiniquim. Oxalá eu consiga ir a algum show em SP.

 

http://youtu.be/AKxysAMwnkc

 

Esta música fala assim: “eu preciso de alguma coisa pra segurar/ como um pingo da chuva que começa a cair/ como um trem que de repente pára/ como alguma coisa que não se pode tocar… Nada pode me parar.” ❤

Filme pra quem é de filme. Begin again.

O filme conta a história dum produtor musical que perde o brilho nos olhos, vivido pelo Mark Rufallo, que tem uma epifania vendo uma menina tocar com um violão, num bar. A menina é a ex-namorada de um pretenso rock star vivido por Adam Levine, que fica muito bem no papel de cuzão. ;P

https://www.youtube.com/watch?v=UC_DPae1y40

 

 

Que o tesão desta menina em tocar guitarra ( filha do produtor) seja o nosso em fazer o que amamos todos os dias. #amém

E a música se chama “Tell me if you wanna go home”. I do.

Textão pra quem é de textão. Voltar pra casa dói, mas salva.

http://revistatrip.uol.com.br/tpm/a-volta-por-milly-lacombe

Sim, a gente sempre vai se ver por aqui. Porque a casa da gente fica na alma. E os olhos são as janelas dela. Da alma e da casa. Que, sim, será sempre minha. Pode entrar.