Faça-você-mesma, Klara.

Eu tenho uma amiga-irmã-comadre de algumas décadas que não mora aqui colada em mim. Mas não foi a distância geográfica que nos separou. Ao contrário. Apesar dela morar com sua família linda na Paraíba, nos falamos constantemente e, sim, nosso Bluetooth emocional é bem sincronizado. Quase todo dia no uatisápi falando da vida, das crias e mal dos colega dazantiga que me deleta do FB. Quem nunca, né?! A deletada, a diferentona.

E daí que outro dia ela me perguntou como que encapava móvel com tecido. Eu falei que não sabia, nunca tinha feito. Que a parede do meu antigo quarto que era de tecido eu encapei com cola de papel de parede misturado com cascorex. Que ela fizesse a arte do lado de cima e me mandasse, se desse certo.

 

Uns dias depois, recebi estas fotos que me fizeram cosquinhas no coração ( que pra mim é mesmo a definição física de felicidade). E espero que inspire vocês. Um criado popular, que se abre em cima revelando uma engenhoca simples com velcro, transformado com tecido e cola diluída em água. Proporção?! 2:1. Duas partes de cola e uma de água. Cola branca, escolar.

 

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Tcharáns com tecido de patchwork e floral ornando! Equipe DONC ama! ❤


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Até os fundilhos do criado a danada encapou! 🙂


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a parte que abre também!

Resume tudo que a gente fala por aqui, né, não?! Do pouco ao glamour nosso de cada dia. De olhar pra nada a olhar pra dentro da gente. De nos vermos nas coisas que nos cercam. De coisa bonita e pouco dinheiro. De fazer casa com alma. E criadinho com Buda!

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Em cima, detalhes…


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A parte que abre…


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Atrás! ❤

Não bastasse o criado, que foi no ano passado, estes dias que eu estava de #mimimi, ela me aparece com este armário de escritório, encapado de algodão cru. Isto mesmo, Brasil! Algodão cru!

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não temos o antes, mas é aquele armário básico de escritório, reconhecem?! Pois é, nem eu!

Pôs as meninas pra desenhar com tinta pra tecido e canetas pra tecido (as de escrever nome no uniforme), esperou secar 1 dia, colou com a mistura mágica de cola e água. Simples assim!

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e você ainda ganha algumas horas de crias entretidas! 😛


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desenhando…


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… o que elas quiserem…


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… do jeito que quiserem! ❤

E ainda tirou onda disfarçando os puxadores péba fita de cetim de bolinha e fita dupla-face. Olhaê a substituta da washitape, Braséél! É pra fechar o blog, né! Blogayra de décor enrustida, a minha cumadi.

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puxadores “novos”


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acabamento interno, também com fita!

Então de agora em diante fica assim: se eu demorar mais uma vez a dar as caras aqui novamente, Klara fica nomeada, eleita e aclamada chefe editora por aqui, ok?

E como jabá pouco é bobagem, convido você, minha leitora, meu leitor, a curtir a página do FB da mais velhas das meninas dela, a Mari. Tudo começou com mangás e a menina já mostrou que manja mesmo do riscado, porque é um mais lindo que o outro. Eu já encomendei umas obras de olho pra eu colocar no consultório, porque acho boas, mesmo. Traço firme quando tem que ser, expressões intrigantes… Uma genuína obra de arte. Eu, de você, curtia, enquanto ainda é de graça! Marina Schenkel Art .
E você, não tem nada aí precisando de vida nova?! Os criados e os armários são todos nossos! E manda pra gente ( deolhonacasa@email.com) que adoramos ( e publicamos!) Uhuuuu!!!

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Cadê o brilho nos olhos que estava aqui? DONC is Back!

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isso foi antes da mudança. Está bem pior, acreditem… :/

Eu sei que vocês já devem estar cansados de #mimimi. Eu também.

Acontece que eu tô aqui nesta terra quente e promissora de Mococa, sozinha com as minhas pragas, tentando fazer as coisas darem certo. Por coisas entenda-se basicamente a educação e criar as meninas, trabalhar como oftalma, cuidar minimamente da casa de formas que não habitemos uma pocilga. Rotina, organização e trabalho. Fácil, né?! E nem me sinto adulta suficiente pra ser responsável por tantas coisas.

Eis que segunda passada na hora do almoço meu pai recebeu uma ligação e disse: “ah, tá confirmado, sim! A gente vai!… Viu, Diana, quarta à noite na televisão, falar sobre oftalmologia.” Não é uma notícia que se dê assim, né, gente, pra uma pessoa com a boca cheia de arroz e feijão, engolindo com pressa pra levar uma na escola e buscar outra. ( Sim, eu almoço na casa dos meus pais todos-os-dias porque ainda não me programei suficiente para ter arroz-feijão-bife-salada na minha própria morada.)

E a partir daquele momento eu só conseguia pensar em fazer as unhas, o que que eu vou falar e o que eu faço deste cabelo, pelo-amor-de-Deus. Fora a rotina insana com as meninas que, num ato de desespero materno, eu matriculei em períodos diferentes porque elas brigam demais. Agora só sobra a noite pra isso. Aff.

E a quarta-feira chegou comigo ainda no celular, tentando me acalmar à uma da manhã. Eu durmo tarde e acordo cedo. E celular na cama nunca dá certo, é verdade, eu sempre falo pras meninas. E antes do despertador tocar às 5:45h eu já tinha acordado sobressaltada e cansada. Vou passar o uniforme da menina antes de acordá-la, pensei. Bati a mão no criado, pus meus óculos ( eu uso +5,50 pra longe de hipermetropia) e olhei no celular pra ver as horas.

E aí aconteceu o impalpável.

Eu não enxerguei as horas. Nem de pertinho, nem à meia-distância, nem de longe. Meu coração começou a bater na boca e me deu vontade de chorar. Eu sabia que eu ia perder a visão pra perto, mais dia menos dia, pois já beiro os 40. Mas, assim? Sem aviso? Antes do despertador tocar? num dia importante? então começou a tocar o alarme e o meu é o pior possível, aquele de sirene, Pé Pé Pé…

Eu desliguei porque já sabia onde era o botão, sem enxergar. Levantei, me esforçando pra ver algo mais que vultos e caminhei até a cozinha. Eu não contaria pra ninguém. Não posso assustar as meninas. Vou agir com naturalidade. Imagina o susto que meu pai vai tomar?! E os pacientes de hoje, como eu vou atender?! Cheguei na cozinha e decidi fazer uma café forte, aquilo era sono. Acendi a luz da cozinha e… ESTAVA TUDO ESCURO! Meu Deus! Eu acordei cega! Abri a porta da cozinha que dá pro quintal e parecia ser noite, ainda. E se eu vivesse na noite pra sempre, meu Deus?!? Eu estava apavorada demais até pra chorar. Fiquei alguns minutos sentada na mesa da cozinha. De camisola, bafo, óculos e sem chão, sem reação. Eu quero atender as pessoas… eu gosto tanto do que eu faço, mas como?! Eu não vou enxergar as câmeras na TV… Como eu vou fingir?! E foi então que eu tive a melhor idéia de todas. Vou voltar pro quarto, é um pesadelo, eu ainda não me levantei.

Cheguei no quarto e não tinha ninguém deitada na minha cama. Eu era eu e eu estava acordada. Mas…

O que era aquilo sobre o criado?! Franzi a testa pra ver, cheguei pertinho… Lá estavam meus óculos de grau! E no meu rosto?! Óculos de sol, sem grau. O relógio da Igreja começou a bater 6h da manhã, eu já estava atrasada. Ufa… Mais 2 minutinhos, que o dia ia ser longo e eu acabava de surtar… Mas enxergar não tem preço! E eu tenho muita gente pra ajudar!

E vai arrumar esta casa que está uma zona, Diana, honestamente… Ninguém pode viver equilibrando celular, 3 óculos diferentes, cestinha de remédios, creme anti-idade, controles remotos, caderninho de anotação e contas num criado-mudo. Sim, eu sei, podexá. Mas no final de semana, que hoje eu vou falar na televisão! 😛

A entrevista que demos na quarta está aqui, quem quiser ver, será bem-vindo, só clicar!

É longuíssima, mas foi tanto carinho que sou toda gratidão. Me senti voltando pra casa, realmente! Muito obrigada, dra Eliana e TVD, vocês são sensacionais!

E nada como um sustinho básico pra gente se tocar do que é realmente importante nesta vida, né!

Então, amores e amoras, informo com este post-surto que continuo linda, loira e louca como vocês podem ver no vídeo, mas sobretudo que amo muito este blog, que não é só de decoração, nem nunca foi, pra quem não sabia ainda.

Muito breve voltamos a nossa programação normal com faça-você mesma, decore-você-mesma, viva-sua-vida-você-mesma que o ano começou, uhuuu!!! E vou mostrar meu consultório que tá chuchu, tá azul, tem um olho-espelho lindo na porta… Projetinhos da minha cumadi da Paraíba, posts na casa da vó, cola aqui QUE EU VOLTEI! 😛

Por último, mas não menos importante, a fotinha que publiquei no meu IG no dia do nosso ano novo, meu e do meu pai, dia primeiro de fevereiro:

E sim, pode entrar!!! A bagunça é toda minha, mas fica à vontade! SMACK!

 

 

Sobre mudanças e brilho nos olhos

 

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Nu – Tolentino, s/d

Mudar não é fácil, não é rápido, nem barato. É que nem ser mãe; cansa e te exige uma vigília constante. Mas te recompensa por ter um ( ou 2, no meu caso) corações batendo fora do meu peito e 2 cérebros pensando com uma cabeça que não é a minha. Tudo tão bagunçado, tão lindo, tão humano e inesperado. A casa, pra mim, é um ser vivo. Um coração que pulsa fora do meu peito e um cérebro que pensa sem mim.

Tomar esta decisão de sair da zona de conforto ( ou da cidade, no meu caso) causa estress, briga, choro… Mas se tem se revertido num profundo e doloroso encontro comigo mesma, com meu passado, com as expectativas que tinha, há 20 anos, de quem eu seria quando tivesse 40.

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Me vi em diversos momentos, fazendo coisas legais e outras, nem tanto… Sendo legal com algumas pessoas e com outras, nem tanto…

Joguei muito, muito papel mesmo, fora. Doei roupas, brinquedos, roupinhas de neném que eu pensava que ainda teria e guardei por 1 década. Não quero mais nada disso.

Quero ser a que eu puder carregar, dentro do peito e fora dele. E que meus dois corações que batem fora de mim me acompanhem. E que eu encontre minha alma de novo.

É por isso que gosto de falar que sou oftalma. Porque têm alma no final. E, honestamente, eu ando com os pés e a alma cansadas… Com o olhar sem brilho e o cenho preocupado…

Estou no meio de um caminho que não sei onde vai dar. Só sinto o calor do sol do meio-dia na minha cabeça e tenho que fechar os olhos. Eu prefiro a noite.

Pra pensar. Pra rir. Pra fumar.

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Então vou tentar novamente fechar os olhos e dormir mais um pouquinho. E quando eu acordar, espero que meu brilho nos olhos tenha voltado. E que minha casa tenha encontrado uma alma e vice-versa.

O fato é que, quando eu me afundo nos poços que eu mesma cavo, deixo uma cordinha amarrada pra subir depois.

No caso da casa, foram os quadros. Obras de arte são importantes. São caras. Compre quando der, porque olhar pra elas não têm preço. E você sempre vai ver algo que não tinha visto. Mudar de perspectiva e de ponto de vista salva.

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O autor da maioria delas é o Francisco da Silva, um pintor brasileiro que nasceu no Acre e viveu no Ceará, autodidata e semi-analfabeto, atormentado por natureza, descoberto por Jean-Pierre Charboz. Morreu pobre e bêbado. Acho que até por isso ele pintava tantas cobras e lagartos atormentados. Delirium. Dizem que as obras depois de 1978 não são exatamente dele, porque todos na família punham a mão na obra, no intuito de fazer uma produção de massa. I don’t care. Todas têm o dedão dele em tinta perto da assinatura. Amo Chico da Silva e sua loucura. Me salvou e continua me salvando.

Música pra quem é de música. Esta banda linda se chama Drugstore, nasceu na Inglaterra e a vocalista – pasmem – linda, maravilhosa, brasileira, Isabel Monteiro, voltou pro Brasil ano passado e está com uma nova formação tupiniquim. Oxalá eu consiga ir a algum show em SP.

 

http://youtu.be/AKxysAMwnkc

 

Esta música fala assim: “eu preciso de alguma coisa pra segurar/ como um pingo da chuva que começa a cair/ como um trem que de repente pára/ como alguma coisa que não se pode tocar… Nada pode me parar.” ❤

Filme pra quem é de filme. Begin again.

O filme conta a história dum produtor musical que perde o brilho nos olhos, vivido pelo Mark Rufallo, que tem uma epifania vendo uma menina tocar com um violão, num bar. A menina é a ex-namorada de um pretenso rock star vivido por Adam Levine, que fica muito bem no papel de cuzão. ;P

https://www.youtube.com/watch?v=UC_DPae1y40

 

 

Que o tesão desta menina em tocar guitarra ( filha do produtor) seja o nosso em fazer o que amamos todos os dias. #amém

E a música se chama “Tell me if you wanna go home”. I do.

Textão pra quem é de textão. Voltar pra casa dói, mas salva.

http://revistatrip.uol.com.br/tpm/a-volta-por-milly-lacombe

Sim, a gente sempre vai se ver por aqui. Porque a casa da gente fica na alma. E os olhos são as janelas dela. Da alma e da casa. Que, sim, será sempre minha. Pode entrar.