Sobre mudanças e brilho nos olhos

 

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Nu – Tolentino, s/d

Mudar não é fácil, não é rápido, nem barato. É que nem ser mãe; cansa e te exige uma vigília constante. Mas te recompensa por ter um ( ou 2, no meu caso) corações batendo fora do meu peito e 2 cérebros pensando com uma cabeça que não é a minha. Tudo tão bagunçado, tão lindo, tão humano e inesperado. A casa, pra mim, é um ser vivo. Um coração que pulsa fora do meu peito e um cérebro que pensa sem mim.

Tomar esta decisão de sair da zona de conforto ( ou da cidade, no meu caso) causa estress, briga, choro… Mas se tem se revertido num profundo e doloroso encontro comigo mesma, com meu passado, com as expectativas que tinha, há 20 anos, de quem eu seria quando tivesse 40.

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Me vi em diversos momentos, fazendo coisas legais e outras, nem tanto… Sendo legal com algumas pessoas e com outras, nem tanto…

Joguei muito, muito papel mesmo, fora. Doei roupas, brinquedos, roupinhas de neném que eu pensava que ainda teria e guardei por 1 década. Não quero mais nada disso.

Quero ser a que eu puder carregar, dentro do peito e fora dele. E que meus dois corações que batem fora de mim me acompanhem. E que eu encontre minha alma de novo.

É por isso que gosto de falar que sou oftalma. Porque têm alma no final. E, honestamente, eu ando com os pés e a alma cansadas… Com o olhar sem brilho e o cenho preocupado…

Estou no meio de um caminho que não sei onde vai dar. Só sinto o calor do sol do meio-dia na minha cabeça e tenho que fechar os olhos. Eu prefiro a noite.

Pra pensar. Pra rir. Pra fumar.

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Então vou tentar novamente fechar os olhos e dormir mais um pouquinho. E quando eu acordar, espero que meu brilho nos olhos tenha voltado. E que minha casa tenha encontrado uma alma e vice-versa.

O fato é que, quando eu me afundo nos poços que eu mesma cavo, deixo uma cordinha amarrada pra subir depois.

No caso da casa, foram os quadros. Obras de arte são importantes. São caras. Compre quando der, porque olhar pra elas não têm preço. E você sempre vai ver algo que não tinha visto. Mudar de perspectiva e de ponto de vista salva.

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O autor da maioria delas é o Francisco da Silva, um pintor brasileiro que nasceu no Acre e viveu no Ceará, autodidata e semi-analfabeto, atormentado por natureza, descoberto por Jean-Pierre Charboz. Morreu pobre e bêbado. Acho que até por isso ele pintava tantas cobras e lagartos atormentados. Delirium. Dizem que as obras depois de 1978 não são exatamente dele, porque todos na família punham a mão na obra, no intuito de fazer uma produção de massa. I don’t care. Todas têm o dedão dele em tinta perto da assinatura. Amo Chico da Silva e sua loucura. Me salvou e continua me salvando.

Música pra quem é de música. Esta banda linda se chama Drugstore, nasceu na Inglaterra e a vocalista – pasmem – linda, maravilhosa, brasileira, Isabel Monteiro, voltou pro Brasil ano passado e está com uma nova formação tupiniquim. Oxalá eu consiga ir a algum show em SP.

 

http://youtu.be/AKxysAMwnkc

 

Esta música fala assim: “eu preciso de alguma coisa pra segurar/ como um pingo da chuva que começa a cair/ como um trem que de repente pára/ como alguma coisa que não se pode tocar… Nada pode me parar.” ❤

Filme pra quem é de filme. Begin again.

O filme conta a história dum produtor musical que perde o brilho nos olhos, vivido pelo Mark Rufallo, que tem uma epifania vendo uma menina tocar com um violão, num bar. A menina é a ex-namorada de um pretenso rock star vivido por Adam Levine, que fica muito bem no papel de cuzão. ;P

https://www.youtube.com/watch?v=UC_DPae1y40

 

 

Que o tesão desta menina em tocar guitarra ( filha do produtor) seja o nosso em fazer o que amamos todos os dias. #amém

E a música se chama “Tell me if you wanna go home”. I do.

Textão pra quem é de textão. Voltar pra casa dói, mas salva.

http://revistatrip.uol.com.br/tpm/a-volta-por-milly-lacombe

Sim, a gente sempre vai se ver por aqui. Porque a casa da gente fica na alma. E os olhos são as janelas dela. Da alma e da casa. Que, sim, será sempre minha. Pode entrar.

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5 comentários sobre “Sobre mudanças e brilho nos olhos

  1. Diana, agora entendo como apareceram os Chico da Silva que estão na casa de praia da família e que sempre nos atormentaram, a nós, as filhas, talvez como vc diz pelo seu “delirium”. Meus pais são Cearenses, e Jean Pierre Chabloz, morou em Portugal ali pelos inicios dos anos 70 e frequentava a minha casa. Ele pintou um retrato de minha mãe em 1972. Me lembro de voltar da escola e olhar embevecida para minha mãe posando, e o Chabloz concentrado, fumando e misturando as tintas. Esse retrato está hoje em Fortaleza na casa do meu pai, e é a mais bela recordação da minha mãe, que partiu há 16 anos. Foi também Chabloz que me apresentou o “petit Prince” e me presenteou com uma versão francesa, com uma dedicatória sua que guardo até hoje. Adorei ler seu texto. Mudar é renascer. Também eu aos 50, estou tentando me ver livre de um sem número de coisas materiais, para me sentir mais livre e leve. Estou farta do passado e só o que vem por aí me interessa. Beijos, Diana!

    • Que coisa mais linda, Val! Fico admirada em ver que, quando temos afinidade por uma pessoa, nossas histórias e gostos se cruzam mais de uma vez! Vc é uma querida amiga que a internê me deu, sempre bem-vinda aqui em casa! Um grande beijo!

  2. rosapaula disse:

    Adorei chegar por aqui por meio do blog da Val. Adorei esse post, suas verdades aqui expostas, as coisas importantes da vida em toda a sua singeleza. É como esse filme que você recomendou – simples, singelo, mas que toca justamente por isso.
    Rosa
    Le Paquet

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