Foda-você-mesma

Eu não vou me desculpar pela ausência, nem pelo tempo, nem pela distância. Eu estive aqui dentro de mim o ano inteiro. Um ano que passou rápido, mas devagar na dor. Um ano em que eu defini que não ia trabalhar até morrer de cansaço e não ver minhas filhas. Hoje em dia conversamos sobre tudo; e sobretudo o quanto eu tenho que trabalhar pra termos isto ou aquilo. E muitas vezes decidimos que o mais importante é termos umas às outras. Eu trabalho das 8 às 17h 3 dias por semana. Não trabalho segunda cedo, nem sexta o dia todo. Eu escolhi assim. Escolhi ser delas o tanto que faltar pra elas crescerem. Eu fiz faculdade de medicina e residência grávida e com bebês. Pois é, só aos quase 14 anos de Penélope e aos 12 de Cleópatra eu consegui minha licença maternidade de 3 meses. Período sabático, volto em março. Acontece. E estamos bem.

Eu quis também muitas vezes neste caminho me separar. Consegui, ano passado.

Eu quis mandar à merda “o que vão pensar sobre o que eu escrevo”, há 40 anos e em várias situações. Consegui também.

Ainda quero fazer uma escola decente pras meninas aqui. Ou em qualquer lugar que formos. Mas isso é um outro capítulo.

O resumo do ano é que eu me libertei de muitas coisas que eu achava que me prendiam. E pra representar todo este libertamento, essa liberdade, esta libertinagem, eu fiz o quadro foda-se em neon vermelho. Não é um neon de vidro que acende na tomada. É um tubo flexível de 3 m que funciona a pilha em 3 velocidades: foda-se aceso; foda-se lento e foda-se rápido. Eu comprei no mercado livre por 42 reais.

Pedi o compensado pro meu único amigo aqui de mococa ( que chegou de Londres em junho/16 e já está em São Paulo hora dessas) cujo pai é marceneiro. Tem 40×85 cm e 4mm de espessura. Além disso, usei furadeira, cola instantânea, e 4 ponteiras de borracha de cadeira, grandes, pra pregar no verso. E barbante e durex pra desenhar a letra no compensado. Faz o primeiro furinho com furadeira e enfia o fio no sentido de trás pra frente. Depois vai colando com cola instantânea onde vc desenhou. Os furinhos do hífen foram feitos com furadeira também.

 

A inspiração deste post veio de um PAP semelhante do Ricota não derrete, onde ela escreveu AMOR.

Você pode escrever o que quiser, o que desejar pra si e pros seus. Eu quis foda-se pelo poder libertador da palavra. Por materializar uma gíria que a gente fala o tempo todo: ligar o foda-se. E o ano pra mim foi libertador. Com todas as dores e delicias que isto traz, amém.

Pode ser pendurado na varanda, na sala ou no quarto, a depender do interlocutor que você escolher: a cidade toda, os habitantes da sua casa ou você mesma.

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Mococa bem que merece um foda-se bem grande na varanda por ter elegido quem elegeu pra administrar este rincão quente e retrógrado em que habito.

Na sala, o foda-se serve pros habitantes: eu e as meninas e pras eternas brigas que elas travam sobre todo e qualquer assunto; quando enrolam pra fazer as funções que são delas ( lavar as louças e tirar os cocôs dos gatos da caixa de areia); como também pra quando nós 3 estamos revoltadas com alguma coisa como autoritarismo da escola ou excesso de tarefas.

No quarto é mais libertador ainda, porque diz respeito apenas a mim e pode ser por algum foda-se situacional daquele dia como também no sentido sexual. Por que, né? Foda-se tem também este sentido!

 

Então eu desejo a todos vocês que em 2018 possam ligar o foda-se quantas vezes quiserem ou precisarem! Sejam felizes e #foratemer, porque esta casa já é minha, digo, nossa! Uhuuu!

Pra quem não sabe, esta placa apareceu também na coluna que tenho feito no blog da minha amiga Ana, http://www.acasaqueaminhavoqueria.com ( lá eu escrevo desde agosto sobre #astrologiadomorar, tema de outro post, prometo).

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