Véios ótimos e meus avós

Dizem que hoje foi dia dos avós. Minha mãe publicou a mesma foto do ano passado com os netos no facebook e desejou parabéns a todos os avós. Ano passado, eu pedi pra ela não fazer isso, porque expunha as crianças, uma vez que ela é uma figura pública e que tem o perfil completamente lotado a ponto de não adicionar a própria neta. Este ano, apenas fiz um grande Affff interno e deixei por isso mesmo. Sejamos condescendentes.

De qualquer forma, avós são ótimos e eu sou louca pra ser avó. De gente. Não de cactos nem de cachorros. Vamos dar tempo ao tempo. Anyway, sendo eu véia, creio que minhas filhas aprendam algo de vó comigo e de jovem com a minha mãe. O tempo nos prega peças.

Ando ainda refletindo sobre ser véia e quando comecei com este negócio. Localizo por volta de 1996, quando fazia Letras na Unicamp e vi “Tatie Danielle”, que significa titia Danielle. Um filme francês sobre a véia mais ranzinza e lazarenta que já pode ter havido. Lembro de ter rido horrores e que a melhor parte foi quando ela abandonou o sobrinho-neto na pracinha, exatamente esta parte que aparece no trailer. E o menino era, de fato, uma criança chata. E esta coisa de ser politicamente correto já tá mais que na hora de acabar, né! Tem criança chata, criança feia, criança burra. Não achei o filme inteiro no YouTube nem em lugar algum, mas deixo aqui minha sincera homenagem a esta véia fabulosamente mau humorada. Os que me conhecem um pouco mais sabem o quanto é risível também meu mau humor. #merepresenta

Este segundo filme é novo. “Um final de semana em Paris”. De um casal de ingleses que vão passar o aniversário de casamento de 30 anos em Paris, de novo. A véia completamente impaciente e o véio completamente comedido. No começo. Assisti em casa, com Marcão, e foi um dos poucos filmes que ele viu comigo. Nos identificamos; depois nos separamos. Não por causa do filme, calma. Se cruzarem com ele por aí, vejam; vários ensinamentos embutidos e você consegue dormir depois. O trailer está aí embaixo.


Tem outra véia que conheci outro dia e que simpatizei muito, a de “My old lady”, representada por Maggie Smith. Na verdade só sei o nome dela porque aparentemente só há ela para todos os papéis de véia da Inglaterra e Reino Unido. Então ela aparece bastante. Mas a personagem aqui também é ranzinza e tem uma mania ótima que muito provavelmente adotarei assim que as meninas não morarem mais comigo; que é a de tomar um bom café da manhã entre 8 e 9 horas e depois jantar às 20h. Odeio almoço. Por mim, faria apenas 1 ou 2 lanches neste intervalo. Mas, enfim, as crianças precisam comer para crescer. Eu que guarde esta informação e os pavões que ainda criarei pra quando for velha de idade. O filme em si é mediano, embora a véia e o cara falido sejam bons personagens com alguns momentos bons. Ele quer herdar a casa, mas só depois que ela morrer. E a véia goza de uma saúde realmente ótima.


Mas a mais sábia de todas as véias é Antônia, protagonista do filme de mesmo nome que foi traduzido por “A excêntrica família de Antonia”. Provavelmente eu assisti a primeira vez porque adoro a palavra excêntrica; faz uns 20 anos. Mas o filme é bem mais que isso. Antonia acorda pra viver seu último dia de vida. Lúcida e sã. E a família dela é de mulheres fortes, a filha, a neta e a bisneta, que de repente encanou com a morte, lembrando que fazia muito tempo que não morria ninguém naquela família. Abaixo segue o filme completo. Pensei muito tempo sobre ele e foi uma grata surpresa revê-lo, ainda que não esteja em HD.


Sobre meus próprios avós, digo apenas que convivi muito com 3 deles que conheci. Fui muito amada e a preferida de cada um ( sorry, irmãos e primos, mas todos sabem que é verdade), o que me salvou como pessoa, já que eu sempre fui uma criança absolutamente introspectiva, anti-social e sem amigos. A eles devo quem eu sou, embora não seja mesmo lá muito grande coisa. Ainda tenho minha vó Francisca viva e forte, ainda que não me reconheça mais. Um dia eu ensino o mantecal que ela me ensinou fazer ( só eu aprendi de todos os netos e passei pra Cleópatra). A mãe do meu pai, a vó Nena, morreu lúcida aos 95 anos, exatos 3 anos antes de eu dar Penélope à luz, no dia da mulher. E tenho ainda vívidas as histórias que ela me contou. Espero poder escrevê-las, um dia. Ela já era viúva há muito tempo, quando eu nasci. E meu vô Zé, marido da vó Francisca, era a pessoa mais sábia e forte do mundo. Caipira, descendente de índio, conhecia a terra e os bichos como ninguém. Com 25 anos, ele ainda me levantava do chão toda vez que eu chegava na casa deles. Ele ficou realmente doente quando não pode ir ao meu casamento por falta de ar. Morreu dali 4 meses. Até hoje eu choro em lembrar disso.

Enfim, não era a intenção do post relembrar dos meus avós, mas não tem jeito, eles fazem parte do que eu sou. Desejo apenas que cada um que vem aqui tenha conhecido pelo menos um de seus véinhos e aprendido algo com eles. Nem que seja a recebe amor. E que a gente seja bons avós quando chegar a nossa vez.

E você sabe, né! Casa de vó é sempre aberta e tem bolo! Vai entrando ❤