STOP – Capitão Fantástico

Ainda é carnaval e faltam poucas horas do meu exílio de 4 dias pra eu voltar ao mundo real. Como vocês sabem, adoro minha própria companhia e o ócio tem se mostrado um ótimo companheiro pros dias em que as meninas passam com o pai. Pensar nunca é demais.

Eis que ontem de madrugada mais uma vez insone e já sem amigos no FB pra dar defeito na página do Dória, eu achei este filme completo e legendado. Pra mim, foi um grande alento. Não sei que tipo de maternidade vocês exercem nem no que acreditam como sociedade. Sei apenas e claramente que o capitalismo não deu certo e que cada vez mais gera ódio, insatisfação e suicídios. Ser do jeito que somos não é mais uma alternativa, a menos que sejamos merecedores. E cada vez mais a meritocracia assume o discurso da educação, das famílias, do sentimento. Eu me recuso a isso. Infantil e veementemente. Se uma fresta houvesse pra sair deste sistema e criar minhas meninas na floresta apenas com os livros que tenho, eu juro que lá estaria. Mas não há portal e o que me resta é não permitir que a escola lhes roube a criatividade e a vontade de viver em sociedade. Eu sinto muito, minhas filhas.

Sobre o titulo do post, é um acróstico para “Stay calm, think, observ, plan”. ( acalme-se, pense, observe e planeje). É isso que o pai destas 6 crianças diz pra um deles ao machucar o punho  enquanto escalavam um penhasco. Eles sabem tática de guerrilha e sobrevivência, poesia, música clássica, física e matemática avançada, respeitar uns aos outros e a declaração dos direitos americanos.

É um road movie em que elas vão resgatar a mãe, que acabou de se matar, da família dela, que vai fazer um funeral cristão. Eu respeito pessoas que se matam. E que criam seus filhos como acreditam. Apenas assistam. Eu chorei uma tarde inteira e olha que não sou de chorar, nem quando minhas filhas nasceram.

Power to the people, stick it to the man.

E o blog volta após o carnaval, assim como todo o Braséél.

Pode entrar, o filme é todo seu.

12 dicas para não arrumar a casa 

Quando eu cheguei aqui em Mococa absolutamente enrolada em plástico bolha, com os móveis embalados em papelão, as pragas, as gatas e os fermentos debaixo do braço, senti um misto de paz com desespero, como se não fossem contraditórios. Paz porque eu sabia que aqui eu seria eu de novo e mais que nunca. Desespero é auto-explicativo.

E eu trouxe comigo a Léia, uma boa amiga técnica de enfermagem em oftalmo que trabalhava comigo em Campinas. A Léia é a pessoa mais organizativa e de iniciativa que eu conheço. Ela organizou os talheres, as porcelanas, achou o papel higiênico e achou a casinha realmente a minha cara. Em dois dias, 100 caixas viraram 20 nas mãos dela. Ela entende mesmo dos paranauês. E os enfeites que ela colocou ali pra depois eu ver pra onde iam, continuam naquele cantinho do móvel. A verdade é que eu não gosto de arrumar. Não lido bem com me desfazer de coisas. Sou véia e quinquilheira e cheia de papeizinhos. E convivo razoavelmente bem com caixas no canto da sala. ( mentchira!)

Ainda tenho, é verdade, 2 caixas no canto da sala e mais uma meia dúzia no banheirinho de fora, é verdade. Às vezes, tiro todo o conteúdo de uma e fico observando onde a faxineira vai acondicioná-los. Hahahaha. O fato é que eu não gosto, mesmo, de arrumar. Sou quinquilheira de alma, coração e convicção. 

E desde que vim pra cá e me separei do Marcão, as meninas ficam finais-de-semanas alternados com o pai. O que me dá 2 grandes atentos: ficar sozinha e não ter obrigação de fazer comida. Tão naturalmente como acordar tarde, descobri a netflix como atividade perfeita pra passar estes minutos de lazer tão solitário e prazeiroso como as melhores coisas devem ser. 

É provável que eu não tenha visto todos estes filmes sozinha, nem apenas uma vez, nem num final-de-semana só. E nem apenas estes. Mas, céus, como me diverti com cada um deles! Se um dia você estiver aí, entediado, clique nos títulos abaixo e confira:

Filmes de família como tema:

1) O que nós fizemos do nosso feriado ( What we did on our holiday)

Confesso que comecei a ver sem grandes expectativas, apenas porque a tradução do título era literal. Mas, cara, eu tenho uma coisa com filmes que se passam na Escócia. E com a sabedoria das crianças e dos velhos. O melhor vô, os melhores netos. Porque todo mundo, no final das contas, é ridículo. O bonito está em conviver e amar as pessoas como elas são, sem julgar, sem brigar.



2) Os excêntricos Tenebaums ( The Royal Tenebaums)

Um clássico que fiz questão que as meninas assistissem comigo. O filme já é antigo ( 2001), mas super plástico, caricato e teatral, como todos deste diretor, Wes Anderson. Quando eu crescer, quero ser como a mãe desta família, interpretada pela Anjelica Houston. Enquanto isso não acontece, continuo como Margot, fumando escondido e mergulhada numa  banheira. Certamente vocês conhecem todos os atores e todas as músicas. E vão se apaixonar por Royal Tenebaum, o patriarca.


3) Questão de tempo ( About time)

E se você pudesse voltar no tempo, o que faria de todos os seus dias?! Tim, um mocinho ruivo e desajeitado do interior da Inglaterra, recebe esta informação de seu pai quando completa 21 anos. E tem a melhor música do Nick Cave no filme, que me faz chorar sempre. Se fosse eu?!? Leria o tempo todo. Sim, eu sou o pai. Delícia de filme, pra ver e rever e olhar com mais carinho seu cotidiano; quase um filme de auto-ajuda.


4) Colegas

Este é o único brasileiro da lista e nem por isso deixa a dever pra nenhum outro. São 3 jovens com síndrome de Down que fogem do instituto onde moram pra realizar seus sonhos. Gente que anda de fantasia, que fala que ama e ama mesmo, que são loucos por Raul Seixas e que fazem o casamento mais lindo do mundo. E que decora falas de filmes. A-do-ro filme que fala de filme. Você tá é muito loko se não vir este filme. Ri e rio horrores. #merepresentam #tocaRaul !!!


5) Final de semana em família ( Family Weekend)

Se eu morasse num lugar que neva muito, eu seria muito preguiçosa, tenho certeza, muito ao contrário da menina deste filme, que é uma puladora de corda profissional. Uma família de 4 filhos, com cada um dos integrantes bem caricatos, incluindo a avó, mãe do pai. And the Oscars goes to… A irmã atriz de 10 anos que começa interpretando Íris, uma prostituta de 12 anos vivida por Jodie Foster em Taxi Driver ( 1976); encerrando com Alex, de Laranja Mecânica ( 1971). Já falei que adoro filmes que tem filmes dentro?! A decoração e a paisagem são um capítulo à parte.


6) Ligados pelo amor ( Stuck in love)

Quem nunca quis ser escritora nesta vida?! E quem nunca teve um amor obsessivo?! Atirem a primeira pedra apenas após ver o filme. Sim, todo muito é lindo, magro, escritor e vive disso no filme. Depilem o coração antes. Foquem na paisagem, big picture, fogs.


7) De bico calado ( Keeping Mum)

O filme é de 2005 e nem por isso deixa de ser engraçado. O humor negro dos ingleses me agrada muito e o fato de existir apenas a Maggie Smith para todos os papéis de véia da Grã-Bretanha na me incomoda em nada, visto que ela é bastante versátil. Delícia observar o sotaque e a casa típica de uma família britânica por dentro. No caso, a do reverendo Goodfellow. Amo as camas, os papéis de parede, a bagunça nossa de cada dia. E que família não é disfuncional, não é mesmo?!

Comédia de máfia

8) Rock’n’rolla – a grande roubada ( Rock’n’rolla)

Mais ingleses atrapalhados com sotaques. Gerard Butler protagoniza a melhor cena de sexo, ever, com a bandida do filme, magra, linda e que fuma loucamente. No maior estilo Jogos, trapaças e 2 canos fumegantes

 https://youtu.be/U0wQXwUtSE


Comédias românticas 


9) Escrito nas Estrelas (Serendipity)

Comédias românticas bobas tem, sim, seu valor de entretenimento. Eles se encontram por acaso ao tentar comprar o último par de luvas pretas no Natal e se apaixonam. Ela escreve seu nome e telefone na capa de um livro ( O amor nos tempos de cólera) – que vem a ser um dos meus livros preferidos desde sempre – e ele, numa nota de 5 dólares. E a gente fica torcendo o filme inteiro praquele livro voltar pra ele e praquela nota voltar pra ele. Fora que a definição de serendipidade é maravilhosa. Assim como o mocinho do filme. 


10) Today’s Special 

Um chef sofisticado e bem presunçoso que tem que assumir o restaurante indiano decadente do pai depois que ele sofre um infarto. O filme dá fome. Eu chorei. Também tenho esta coisa com histórias de filhos que voltam pra casa e continuam a fazer o que o pai faz.

Filmes Argentinos


11) O segredo dos seus olhos ( El secreto de sus ojos) 

Fui ver este filme à época porque eu já tinha esta coisa com olhos, acho que foi em 2011, no primeiro ano da residência de oftalmo. Um homem pode mudar tudo nesta vida: endereço, nome, rosto… Mas não pode mudar sua paixão. Tem suspense, tem romance, tem drama. É a história de um oficial de justiça que escreve um romance sobre um crime que ele investigou há 25 anos.


12) Um conto chinês ( Un conto chino)

Como o mesmo ator do filme anterior, Ricardo Darín. Por isso, aliás, fui vê-lo. E amay Roberto sendo um vendedor de pregos rabugento, colecionador e véio. Daquele tipo cujo mau humor é risível, bem meu número. Some-se a isso o fato dele colecionar notícias absurdas e de aparecer na vida dele um chinês que não fala nem compreende uma palavra de espanhol. E que ele não imagina como tirá-lo da sua vida.

O fato é que existem muitos jeitos de procrastinar, embora ver filmes seja o meu preferido. Todos estes títulos continuam disponíveis na netflix e vários tem completos no YouTube também. Ou nestes torents da vida que eu não sei usar. 

Dizem que está tendo olimpíadas no Brasil também. Não só no rio, mas passando em vários canais.

E você, faz o que pra enrolar quando não quer fazer alguma?! Vê filme também?! Pode entrar, já estouramos até a pipoca! 😛

Véios ótimos e meus avós

Dizem que hoje foi dia dos avós. Minha mãe publicou a mesma foto do ano passado com os netos no facebook e desejou parabéns a todos os avós. Ano passado, eu pedi pra ela não fazer isso, porque expunha as crianças, uma vez que ela é uma figura pública e que tem o perfil completamente lotado a ponto de não adicionar a própria neta. Este ano, apenas fiz um grande Affff interno e deixei por isso mesmo. Sejamos condescendentes.

De qualquer forma, avós são ótimos e eu sou louca pra ser avó. De gente. Não de cactos nem de cachorros. Vamos dar tempo ao tempo. Anyway, sendo eu véia, creio que minhas filhas aprendam algo de vó comigo e de jovem com a minha mãe. O tempo nos prega peças.

Ando ainda refletindo sobre ser véia e quando comecei com este negócio. Localizo por volta de 1996, quando fazia Letras na Unicamp e vi “Tatie Danielle”, que significa titia Danielle. Um filme francês sobre a véia mais ranzinza e lazarenta que já pode ter havido. Lembro de ter rido horrores e que a melhor parte foi quando ela abandonou o sobrinho-neto na pracinha, exatamente esta parte que aparece no trailer. E o menino era, de fato, uma criança chata. E esta coisa de ser politicamente correto já tá mais que na hora de acabar, né! Tem criança chata, criança feia, criança burra. Não achei o filme inteiro no YouTube nem em lugar algum, mas deixo aqui minha sincera homenagem a esta véia fabulosamente mau humorada. Os que me conhecem um pouco mais sabem o quanto é risível também meu mau humor. #merepresenta

Este segundo filme é novo. “Um final de semana em Paris”. De um casal de ingleses que vão passar o aniversário de casamento de 30 anos em Paris, de novo. A véia completamente impaciente e o véio completamente comedido. No começo. Assisti em casa, com Marcão, e foi um dos poucos filmes que ele viu comigo. Nos identificamos; depois nos separamos. Não por causa do filme, calma. Se cruzarem com ele por aí, vejam; vários ensinamentos embutidos e você consegue dormir depois. O trailer está aí embaixo.


Tem outra véia que conheci outro dia e que simpatizei muito, a de “My old lady”, representada por Maggie Smith. Na verdade só sei o nome dela porque aparentemente só há ela para todos os papéis de véia da Inglaterra e Reino Unido. Então ela aparece bastante. Mas a personagem aqui também é ranzinza e tem uma mania ótima que muito provavelmente adotarei assim que as meninas não morarem mais comigo; que é a de tomar um bom café da manhã entre 8 e 9 horas e depois jantar às 20h. Odeio almoço. Por mim, faria apenas 1 ou 2 lanches neste intervalo. Mas, enfim, as crianças precisam comer para crescer. Eu que guarde esta informação e os pavões que ainda criarei pra quando for velha de idade. O filme em si é mediano, embora a véia e o cara falido sejam bons personagens com alguns momentos bons. Ele quer herdar a casa, mas só depois que ela morrer. E a véia goza de uma saúde realmente ótima.


Mas a mais sábia de todas as véias é Antônia, protagonista do filme de mesmo nome que foi traduzido por “A excêntrica família de Antonia”. Provavelmente eu assisti a primeira vez porque adoro a palavra excêntrica; faz uns 20 anos. Mas o filme é bem mais que isso. Antonia acorda pra viver seu último dia de vida. Lúcida e sã. E a família dela é de mulheres fortes, a filha, a neta e a bisneta, que de repente encanou com a morte, lembrando que fazia muito tempo que não morria ninguém naquela família. Abaixo segue o filme completo. Pensei muito tempo sobre ele e foi uma grata surpresa revê-lo, ainda que não esteja em HD.


Sobre meus próprios avós, digo apenas que convivi muito com 3 deles que conheci. Fui muito amada e a preferida de cada um ( sorry, irmãos e primos, mas todos sabem que é verdade), o que me salvou como pessoa, já que eu sempre fui uma criança absolutamente introspectiva, anti-social e sem amigos. A eles devo quem eu sou, embora não seja mesmo lá muito grande coisa. Ainda tenho minha vó Francisca viva e forte, ainda que não me reconheça mais. Um dia eu ensino o mantecal que ela me ensinou fazer ( só eu aprendi de todos os netos e passei pra Cleópatra). A mãe do meu pai, a vó Nena, morreu lúcida aos 95 anos, exatos 3 anos antes de eu dar Penélope à luz, no dia da mulher. E tenho ainda vívidas as histórias que ela me contou. Espero poder escrevê-las, um dia. Ela já era viúva há muito tempo, quando eu nasci. E meu vô Zé, marido da vó Francisca, era a pessoa mais sábia e forte do mundo. Caipira, descendente de índio, conhecia a terra e os bichos como ninguém. Com 25 anos, ele ainda me levantava do chão toda vez que eu chegava na casa deles. Ele ficou realmente doente quando não pode ir ao meu casamento por falta de ar. Morreu dali 4 meses. Até hoje eu choro em lembrar disso.

Enfim, não era a intenção do post relembrar dos meus avós, mas não tem jeito, eles fazem parte do que eu sou. Desejo apenas que cada um que vem aqui tenha conhecido pelo menos um de seus véinhos e aprendido algo com eles. Nem que seja a recebe amor. E que a gente seja bons avós quando chegar a nossa vez.

E você sabe, né! Casa de vó é sempre aberta e tem bolo! Vai entrando ❤