“Laca” você mesmo!

Depois que iniciamos a jornada para separar as meninas de quarto, decidi que iríamos laquear os móveis em cores diferentes e dividi-los entre as duas. São 2 cabeceiras, 2 criadinhos e uma escrivaninha.
Como a gente, eu, só tenho tempo de correr atrás destas coisas no final-de-semana, fomos ao Leroy Merlin cheios de esperança de encontrar respostas pras nossas perguntas. Ledo engano. Era domingo, estava calor, as meninas piraram na cartela de cores por mais que eu tivesse tentado decidir com elas antes e escolher uma paleta mínima pra cada.
Tinha muita gente e o vendedor não fazia idéia do que era laca. Só me mostrou a base Nitro da Sayer Lack e disse que não fazia tinta automotiva. Enquanto isso, marido era enganado na sessão de compressores. Saímos de lá com a tal base nitro, estopa, thinner, aguarrás, esmalte sintético coral e um arremedo de compressor da Wagner. 700 reais mais pobres e cheios de esperança.

Não deu certo. Voltei na semana seguinte e troquei o compressor por um igual ao do Léo.
Mantivemos a base e as tintas. O esmalte arrepiou sobre a base nitro e não secou nunca mais. Era esmalte sintético comum, não o automotivo.

Aí, então, decidi que não ia mais no Leroy pedir opinião. Fui na Casa Diamante, aqui em Campinas, lá eles fazem tinta automotiva.
Falei que queria laquear uns móveis e que tinha a base nitro ( de nitrocelulose). E reclamei também que o esmalte sintético que eu tinha comprado não secava nunca.
Saí de lá com tinta automotiva laca ( base de nitrocelulose, como o primer), lixa d’água 1200, massa para polir carros, thinner específico para a tinta que levei e catalisador pra adicionar no resto de esmalte da cabeceira da Penélope e nos criadinhos. E sem a menor idéia de onde íamos parar. E menos 200 reais na conta.

Compressor novo, leia as instruções de uso antes de começar.

Compressor novo, leia as instruções de uso antes de começar.

As cabeceiras das meninas são pesadas, com os pés em madeira maciça, torneados e sulcados e as curvas do painel em MDF. Tinham aplicação de flores em resina, que arrancamos. Lixamos a peça, corrigimos imperfeições com massa para madeira F12, antes de pintá-las.

As cabeceiras das meninas são pesadas, com os pés em madeira maciça, torneados e sulcados e as curvas do painel em MDF. Tinham aplicação de flores em resina, que arrancamos. Lixamos a peça, corrigimos imperfeições com massa para madeira F12, antes de pintá-las.

faz névoa, viu! Sai daí, Diana! Hahaha! A distância de trabalho é de 20 a 30cm, sobrepondo em 50% as camadas.

faz névoa, viu! Sai daí, Diana! Hahaha! A distância de trabalho é de 20 a 30cm, sobrepondo em 50% as camadas.

Os produtos que usamos para laca: base nitro Sparlack; laca de nitrocelulose feita na loja (casa diamante) e thinner automotivo. Náo precisa ser da mesma marca, tudo. O importante é que seja tudo compatível com o processo escolhido, tanto o fundo ( ou base ou primer) quanto a tinta.

Os produtos que usamos para laca: base nitro Sparlack; laca de nitrocelulose feita na loja (casa diamante) e thinner automotivo. Náo precisa ser da mesma marca, tudo. O importante é que seja tudo compatível com o processo escolhido, tanto o fundo ( ou base ou primer) quanto a tinta.

Marido obstinado lixou o esmalte base água que tínhamos aplicado na cabeceira da Cleo e, vamos lá! Laca nela!
Saio na garagem e vejo meu amor, com a cabeceira rosa, a mangueira e a lixa d’água! Eu me desesperei!!! Vai MOLHAR a cabeceira?!?! É de madeira!!! Mas ele vê muitos programas de carro e garantiu que sabia o que estava fazendo. Eu corri pra este mundão de Google sem fim, pra descobrir realmente como fazia a tal da laca de carro em móveis, com tinta laca. Caí numa discussão num portal de marceneiros onde um senhor descrevia realmente assim o processo:
Base Nitro, lixa, base nitro;
Laca, lixa d’água molhando, laca, lixa d’água molhando, laca, lixa d’água… 3 a 6 vezes;
Se for cor clara, apenas polir com massa de carro pra dar o brilho; se for cor escura, pode aplicar verniz pra laca.
E foi o que fizemos.
A cabeceira da Cleo taí, laqueada e polida.

cabeceira de Cleópatra, nossa laca pronta.

cabeceira de Cleópatra, nossa laca pronta.


penteadeirinha da Cleo, em laca fosca e adesivo vinílico nas gavetinhas.

penteadeirinha da Cleo, em laca fosca e adesivo vinílico nas gavetinhas.

A da Pê, misturamos o catalisador no resto de esmalte da cor. Secou e tá brilhante. Mas é uma cabeceira esmaltada à base de muitas cabeçadas. Não foi esmalte automotivo. Assim como os criados.

cabeceira da Penélope, tipo laca, mas é esmalte normal. Ficou ótima, na verdade!

cabeceira da Penélope, tipo laca, mas é esmalte normal. Ficou ótima, na verdade!

cabeceira esmaltada

criado-mudo. Veio da antiquário para o quarto antigo. Já tinha recebido pintura branca, antes. Foi lixado, primer, esmalte coral, normal, não automotivo.

criado-mudo. Veio da antiquário para o quarto antigo. Já tinha recebido pintura branca, antes. Foi lixado, primer, esmalte coral, normal, não automotivo.

Considerações sobre o processo:

1) não saia de casa sem saber o que comprar, você vai perder dinheiro e tempo;
2) laca de nitrocelulose seca rápido, mas tem que ficar lixando com água entre as demãos;
3) use a base ou primer de acordo com a tinta automotiva que escolher ( há 3 opções: esmalte sintético automotivo, laca automotiva e esmalte poliuretano, vulgo PU, que precisa de catalisador também);
4) o Leroy não tem nenhuma destas tintas e os vendedores sabem menos que você após ler este post;
5) o Léo tinha razão o tempo todo, e o processo dele parece mais rápido e econômico embora o esmalte sintético automotivo demore mais pra secar ( talvez use esta técnica na escrivaninha da Pê);
6) talvez não precisássemos de laca, mas apenas mudar as meninas de quarto, segundo marido…
E você, quer entrar, ver como ficaram os quartos delas?! Ainda não estão prontos!!! 😦